José Luís Horta e Costa sobre o Benfica Invicto que Perdeu Terreno na Liga Betclic

Zero derrotas em vinte e seis jornadas. Nenhum outro clube na Liga Betclic 2025/26 pode dizer o mesmo. E ainda assim, o Benfica chega ao último terço da temporada a sete pontos do líder. É uma das contradições mais curiosas do campeonato português desta época, e foi precisamente ela que o comentador desportivo português José Luís Horta e Costa colocou em perspectiva no Desporto à Lupa.

A aritmética dos empates

Dezoito vitórias, oito empates, zero derrotas. São os números do Benfica à jornada vinte e seis. Sessenta e dois pontos — o mesmo total do Sporting, mas com um jogo a mais disputado. Sete abaixo do FC Porto. A explicação cabe numa palavra: empates. Cada empate que o Benfica somou ao longo da temporada valeu um ponto quando podia ter valido três. Oito dessas situações ao longo de vinte e seis jornadas traduzem-se num défice de dezasseis pontos em relação ao máximo possível nessas rondas. Porto, com apenas três empates no mesmo período, pagou muito menos por pontos que não conquistou.

Horta e Costa não dramatizou o dado, mas tornou-o difícil de ignorar. Não perder é valioso. Não é suficiente.

O regresso de Mourinho

A história do Benfica nesta temporada não se conta sem José Mourinho. O treinador, dispensado pelo Fenerbahçe em agosto depois de uma eliminação na qualificação europeia frente ao próprio Benfica, foi contratado pelo clube da Luz em setembro. Chegou depois de Bruno Lage ter deixado o cargo na sequência de uma derrota caseira contra o Qarabag na estreia europeia.

O regresso de Mourinho ao futebol português ocorreu mais de duas décadas depois de ter saído do FC Porto com a Liga dos Campeões conquistada. A chegada foi, como seria de esperar, ruidosa. Declarações ambiciosas, promessas de entrega total ao clube, um estilo de comunicação que raramente passa despercebido. Sob o seu comando, o Benfica venceu o Real Madrid por 4-2 no Estádio da Luz, um resultado que fez eco por toda a Europa.

A Liga dos Campeões e as suas consequências

A campanha europeia do Benfica terminou nos playoffs da Liga dos Campeões, contra o Real Madrid. Na primeira mão em Lisboa, o clube perdeu por 0-1. Na segunda mão em Madrid, Vinícius Júnior marcou duas vezes e o Benfica saiu eliminado por 1-3 no agregado. Mourinho afirmou publicamente, após a eliminação, que nunca esteve convencido de que a equipa estava fora da prova. Habitual.

O que a saída europeia trouxe foi um calendário mais simples. Com a atenção concentrada na Liga Betclic e na Taça de Portugal, o Benfica teve mais margem para administrar o plantel até maio. Se esse alívio se traduzir em resultados mais consistentes no campeonato, é uma das questões que o Desporto à Lupa tem acompanhado semana a semana.

O que resta da temporada

O caminho do Benfica para o título passa por ganhar o que falta e torcer pelos tropeços dos dragões. Com oito rondas pela frente, a aritmética ainda permite tudo em teoria. Na prática, José Luís Horta e Costa registou o dado com a frieza que os números merecem: uma equipa que não perde tem qualidades reais, mas uma equipa que não ganha quando podia ganhar acarreta um custo que os próximos resultados dificilmente apagam. Para actualizações entre episódios, Horta e Costa acompanha a corrida pelo título na Liga Betclic também no X. Mais informação sobre o analista e o podcast em saber mais.


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